Entrevista do Jornal Viver a Nossa Terra a José Dias, presidente da Assembleia Geral do GD Ribeirão

“Hoje o Ribeirão é um dos clubes de referência”

No mês em que o Grupo Desportivo de Ribeirão completa 40 anos de existência, José Dias, actual presidente da mesa da assembleia-geral completa 25 anos como membro dos órgãos sociais do clube.Viver a Nossa Terra na rubrica “na primeira pessoa” conversou com José Dias que nos falou desta sua longa experiência no clube da terra. Viver a Nossa Terra – Durante a sua juventude esteve muito ligado à J.O.C. (Juventude Operária Católica). Que significado teve na sua formação como homem e cidadão?José Dias – A melhor possível. Nesta instituição posso dizer que tirei mais um curso na escola da vida.Andei na JOC entre 1972 e 1975, onde cheguei a ser presidente durante um ano, tendo sido numa altura em que houve uma mudança radical nas nossas vidas – Revolução de Abril de 1974.Participei em inúmeros encontros de formação onde se estudou diversos documentos ligados à Igreja, nas áreas laboral, sindical e política.Estou muito grato aos responsáveis desse tempo em especial aos Padres Henrique Faria e Fernando Abreu, assim como aos colegas e amigos desse tempo.

VNT – Que recordações conserva da sua participação na guerra colonial? Marcou-o positiva ou negativamente?
JD – A única coisa negativa desse tempo foi o ter prejudicado a minha saúde devido ao clima e às péssimas condições que tínhamos na altura e o risco e perigo constante de uma guerra para a qual não estávamos devidamente preparados.Mas também houve o lado positivo: para um jovem com vinte anos que saiu da aldeia e ter tido a possibilidade de conhecer o país e depois Moçambique, e conviver com pessoas das mais diversas origens e culturas. Foi um aspecto importante e enriquecedor. Foram momentos inesquecíveis.
VNT – A sua experiência na autarquia foi positiva ou ficou desiludido?
JD – De uma forma geral foi uma prestação positiva. Fui vogal na junta presidida pelo sr. Heliodoro Rodrigues e com as suas virtudes e defeitos, o certo é que foi um homem dedicado ao trabalho de corpo e alma, em prol da comunidade.Por outro lado, para além de adquirir alguma experiência nesta área consegui o meu principal objectivo que era conseguir que a Câmara Municipal pudesse adquirir o terreno para o futuro parque desportivo, estando desta forma ao serviço das Camadas Jovens do GD Ribeirão.Depois fui membro da assembleia de freguesia e fiquei a conhecer como funciona uma autarquia por dentro e por fora e, desta forma, dou valor a todas as pessoas que se disponibilizam a trabalhar nesta área e que por vezes são mal compreendidas por parte de algumas pessoas.
VNT – O que é que leva um homem a gostar tanto de futebol e do clube da sua terra?
JD – Eu gosto de todo o desporto, da cultura e do associativismo, no entanto, na altura a única associação em plena actividade era o Grupo Desportivo, posteriormente, felizmente, apareceram outras associações e das quais também sou sócio e nós ribeirenses temos por obrigação de fazer algo por elas porque são o espelho das capacidades e do crescimento da nossa terra.
VNT – E a trabalhar em prol da colectividade durante tantos anos?
JD – Enquanto me sentir útil e as pessoas ligadas ao clube me convidarem a continuar, é para mim um prazer pois isto já faz parte da minha vida.
VNT – Em todos estes anos de trabalho voluntário que conclusões tira da evolução do GDR?
JD – Muito positiva. Eu conheço toda a história do clube, pois sou ainda do tempo dos campeonatos regionais e do campo pelado.Hoje temos um clube com um estatuto de nível nacional e somos uma instituição digna e que é o orgulho de todos aqueles que de alguma forma contribuíram para que tudo isso seja uma realidade.
VNT – No início do mês o GD Ribeirão completou 40 anos de existência. Há motivos para se festejar?
JD – É evidente que sim. O clube está bem e devemos estar orgulhosos da sua vitalidade e crescimento.
VNT – Mesmo sem festejos “muito” visíveis?
JD – De facto, nos últimos anos tem-se feito um jantar de aniversário em alguns deles bastante participativo tendo alguns ultrapassado meio milhar de pessoas.Nos últimos aniversários temos tido uma acentuada diminuição de participantes como foi o caso do ano anterior em que não chegou a uma centena de pessoas. Estes eventos dão muito trabalho e despesa e os responsáveis do clube estão a pensar em algo diferente, porventura mais popular. Brevemente será anunciado um programa que vá de encontro ao agrado da massa associativa e ao alcance da bolsa de todos.
VNT – Entende que o papel de formador de crianças e jovens tem sido uma função conseguida pelo clube?
JD – Eu penso que sim. No entanto, faltam limar algumas arestas e a principal falha passa por não haver um projecto a médio/longo prazo por parte dos responsáveis do clube, no sentido de haver uma continuidade do trabalho desenvolvido pelos responsáveis da formação e integrar essa mesma formação no futebol sénior.
VNT – Durante as muitas gerações de atletas, seguiu-lhes o trajecto ou perdeu-lhes completamente o rasto?
JD – Quando o clube estava nos regionais era difícil algum atleta singrar no futebol ao nível nacional. Os primeiros atletas a triunfar no futebol ao mais alto nível foram: o André que jogou no Varzim e no Porto onde ganhou vários títulos nacionais e internacionais, tendo jogado também na selecção nacional; o Vitoriano que se destacou no Varzim tendo jogado várias épocas no primeiro escalão nacional.Anos mais tarde outro atleta chega à primeira divisão, foi o João Pedro que representou o Salgueiros e o Santa Clara.Mais recentemente tem havido atletas dos escalões de formação do Porto e Boavista que jogam no Ribeirão por empréstimo e também são internacionais nos escalões mais jovens, como por exemplo Bruno Pinheiro, Bura, Monteiro e Trigueira. É evidente que parte deles irão fazer carreira ao mais alto nível.Da nossa formação também temos tido alguns jovens atletas a serem cobiçados por clubes de outras dimensões como por exemplo o Amorim e o Miguel que saíram para o Guimarães e que têm sido chamados à selecção da AF Braga e à selecção nacional sub-15 no caso do Gavina.É evidente que me sinto satisfeito e até orgulhoso mas o mais importante é dar condições a estas dezenas de jovens de os ocupar e formá-los para a vida.
VNT – Quer-nos contar algum episódio curioso que o tenha marcado na sua carreira de dirigente?
JD – Durante a minha actividade de dirigente houve momentos muito bons e outros menos felizes mas o que mais me satisfez foi conseguir que se construísse um campo destinado à formação. Lutei muitos anos para que isto fosse uma realidade. Senti-me feliz quando se deu início à terraplanagem, durante o meu mandato como presidente, e em 2005 quando se inaugurou o piso sintético, obra suportada pela Câmara Municipal.
VNT – Tem publicado no “Viver a Nossa Terra” a verdadeira história do Ribeirão. Tem tido algum retorno?
JD – Vi nascer o Grupo Desportivo de Ribeirão, conheci a primeira geração de dirigentes do clube, eu faço parte da segunda geração e dado o facto de ter um conhecimento profundo da vida do clube, entendi que seria oportuno ficarem registados para a posteridade os factos mais relevantes da história do clube.Começa a aparecer já uma terceira geração de dirigentes e alguém tem que fazer essa transição. Muito embora o Ribeirão seja um clube ainda jovem, o certo é que posso afirmar que deve haver poucos clubes que tenham o registo do seu historial como o nosso clube tem.
VNT – Foi também presidente do clube. Foi o culminar de uma vontade, ou uma necessidade?
JD – Foi uma necessidade. Fui presidente durante três épocas mas tive a felicidade de ter comigo um excelente grupo que muito me ajudou e muito facilitou a minha tarefa.
VNT – Actualmente o Ribeirão é um clube de referência. Porquê?
JD – Depois do clube já estabilizado no mandato de António Pereira, seguiu-se um novo ciclo e um projecto mais ambicioso. Primeiro Adriano Telles levou novamente o clube à segunda divisão nacional. Com Vítor Moreira, melhorou-se as instalações e inaugura-se o campo sintético. Com José Maria Santos alcança-se o quarto lugar na classificação geral tendo feito figura na Taça de Portugal ao bater o Rio Ave que militava no primeiro escalão do futebol português. Com a aposta em treinadores bastante conhecidos como Vital, Vítor Paneira, Dito e Tulipa, o clube tornou-se mais falado na comunicação social.Mas para mim o homem que tem tido mais influência em torno deste projecto é o actual presidente, Adriano Pereira, que na prática esteve por traz de todos os presidentes já citados.Com a construção do Parque Desportivo Municipal, da dedicação dos dirigentes e treinadores da formação, hoje o Ribeirão é um dos clubes de referência a trabalhar com futebol jovem em qualidade como em quantidade, como se comprova com as várias equipas de formação a lutarem pelos lugares cimeiros. Para culminar todo este esforço, só falta colocar uma ou mais equipas nas provas a nível nacional.
VNT – Também” sente” assim as outras associações da nossa terra?
JD – Felizmente, em Ribeirão temos diversas associações nas mais diversas áreas: social, cultural, desportiva e recreativa, e todas elas se completam, sem haver atropelos, seguindo cada uma o seu caminho.Podemos citar obras extraordinárias: Centro Social Paroquial com creche e lar; Associação Casa do Povo com a recuperação do edifício pôde voltar em pleno à actividade; Associação Cultural, Recreativa e Social de Ribeirão com a construção de um magnífico pavilhão; Clube de Cultura e Desporto de Ribeirão que para além do seu jornal “Viver a Nossa Terra” tem diversas actividades com destaque para o atletismo que actualmente está na 1ª divisão nacional ao lado de grandes clubes como o Sporting, Benfica e Porto. Os ribeirenses em geral ainda não se aperceberam que em Ribeirão há um clube na 1ª divisão nacional.Há mais instituições em Ribeirão que merecem os mais rasgados elogios graças à dedicação dos seus dirigentes.Aproveito a oportunidade para felicitar dois ribeirenses que estão a trabalhar e bem ao mais alto nível no concelho de Vila Nova de Famalicão, são eles os professores Leonel Rocha vereador da Educação e Cultura e Álvaro Santos, director da Casa das Artes, tendo sido ambos presidentes do CCDR.Para terminar queria saudar o meu amigo António Alves que também completou 25 anos como director do GD Ribeirão, sendo no momento o secretário geral, cargo de muita responsabilidade.
VNT – Que sonho gostaria de concretizar no Ribeirão?
JD – Gostaria de ver a construção de um campo de futebol de sete no espaço existente para ele e de ver o Parque Desportivo Municipal concluído.
VNT – A personalidade da sua vida.
JD – Sá Carneiro.
VNT – O filme da sua vida.
JD – Música no Coração.
VNT – O livro da sua vida.
JD – O que estou a escrever em colaboração com a equipa de redacção do jornal “Viver a Nossa Terra”, sobre a história do futebol em Ribeirão.
VNT – Local que gostaria de visitar.
JD – Moçambique, em especial as localidades onde prestei serviço militar durante a guerra de África entre 1970 e 1972.
VNT – Local onde gostaria de viver.
JD – Sinto-me bem na Terra que me viu nascer – Ribeirão.
VNT – Que mensagem quer levar aos leitores do “Viver a Nossa Terra” e particularmente aos sócios do Ribeirão?
JD – Felicitar todas as pessoas que tenham feito algo nas nossas instituições e apelar às pessoas que não querem ou não tendo disponibilidade para trabalhar, pelos menos sejam compreensivas e solidárias.
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